quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Memória do Futebol Maranhense - Maranhão Atletico Clube - MAC


Origem do MAC

No começo dos anos trinta, o futebol já despontava como a grande modalidade esportiva preferida pelos maranhenses. A cidade de São Luís, apesar de ter sido fundada por franceses, continuava recebendo influência em suas diversas atividades dos imigrantes que para cá vieram em busca de melhores dias.
Foram esses imigrantes, e sobretudo os libaneses, sírios e portugueses, os responsáveis por todo crescimento de São Luís, devido ao grande potencial financeiro que possuíam na esfera comercial e industrial. Em tudo que existia na Ilha, tinha sempre a presença dessas pessoas.
Nas modalidades esportivas, foram os sírios e os portugueses os criadores da Associação Syrio Brasileiro, fundada em 1927, e desativada por volta de 1935. Como em toda a reunião de pessoas, já em 1930, notava-se um movimento contrário entre os dirigentes da associação, que tinha de um lado Paulo Silva e do outro Wady Nazar. Eles não estavam mais se entendendo.
Dessas constantes divergências surgiu um movimento que culminou com a fundação de uma nova agremiação. No dia 24 de setembro de 1932 surgiu o Maranhão Atlético Clube.
Um grupo de diretores que juntamente com alguns atletas do Syrio Brasileiro, com exceção dos jogadores Osvaldo e os irmãos Cutrim, não concordaram com uma decisão da diretoria e resolveram formar uma nova equipe.
Sob o comando de Sílvio Tavares e Maia Ramos Sobrinho, em um prédio localizado na Rua São João, esquina com Afogados, os primeiros entendimentos foram mantidos para a criação da associação, embora alguns não acreditassem que a idéia pudesse ser levada a frente.
A torcida jovem também apoiava o movimento e levantou a bandeira do novo clube, que contou na reunião com a presença dos jogadores de voleibol, para comprovar seu apoio ao grupo, e resolveram marcar um jogo contra o time da Escola Normal, na quadra daquele Educandário.
A vitória foi maqueana pelo placar de 2 x 1, fato festejado pelas ruas da cidade, o que deixou mais entusiasmados os diretores e jogadores da nova agremiação.
Para os mandatários do Syrio que não aprovaram a atitude dos outros diretores e jogadores, o movimento não poderia obter o resultado esperado, devido as prováveis dificuldades que o grupo iria enfrentar.
Alguns achavam que não demoraria muito e a rapaziada esfriaria, pois não tinham capacidade para enfrentar os obstáculos que uma associação encontra para se manter, voltando todos para o ninho antigo. Outros foram além, dizendo que o ocorrido foi uma atitude impensada que não deveria ter acontecido e que tudo voltaria ao normal, mais cedo do que se poderia imaginar.
Estavam todos enganados. Os bravos jovens conseguiram superar todos os obstáculos e levaram a idéia à frente. Estava definitivamente fundado o Maranhão Atlético Clube, que levou quase um ano para se apresentar no cenário esportivo de nossa capital.

Breve histórico

O Maranhão Atlético Clube foi fundado em 1932 e tornou-se um dos clubes mais tradicionais do estado homônimo. Com 14 títulos do torneio regional, o MAC saiu da fila em 2007 após ficar oito anos sem conquistar nenhum certame.
O primeiro campeonato conquistado pelo Maranhão foi cinco anos após sua criação. Em 1937, o MAC faturou o torneio, algo que sucedeu-se em 1939, 1941 e 1943, começando a chamar a atenção no cenário futebolístico no estado.
Nos anos 50, o Bode Gregório ganhou apenas um título estadual, fazendo com que sua reputação decaísse. Uma nova campanha vitoriosa só aconteceu em 1963, doze anos depois da última conquista, que foi em 1951.
Porém, o grande apogeu do time maranhense foi em 1979, quando participou do Campeonato Brasileiro. Com oito vitórias, três empates e cinco derrotas, o MAC terminou no 26º lugar, uma posição digna para um clube recém-promovido. O Maranhão ficou à frente de clubes grandes, como Fluminense, Bahia e Botafogo.
Contudo, a boa campanha do time no campeonato não se repetiu no ano seguinte. A última posição, não vencendo nenhum jogo fez com que o time caísse para a segunda divisão, tomando 14 gols em apenas nove jogos. O desempenho do ataque foi pífio, com só três gols nos mesmo nove jogos. O clube nunca mais participaria da elite do futebol brasileiro novamente.
A década de 80 para o MAC foi muito ruim. Além de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro, o Bode Gregório não conquistou nenhum título estadual. Porém nos anos 90 o Maranhão foi superior aos demais concorrentes, principalmente Sampaio Corrêa e Moto Clube. Pela primeira vez o clube ganhou um tricampeonato, 1993, 1994 e 1995, além do torneio de 1999.
Em 2000, o Maranhão voltou a figurar com destaque no cenário nacional. Naquele ano houve a Copa Norte, torneio que dava direito a disputar a Copa dos Campeões. Esta competição, por sua vez, garantia ao vencedor um lugar na Copa Libertadores. Após bela campanha, o MAC chegou à final para enfrentar o São Raimundo. No primeiro jogo, o Bode Gregório derrotou o rival de Amazonas por 3 a 2. Mas, no jogo de volta, em Manaus, o Maranhão perdeu por 2 a 0 e ficou com o vice-campeonato.
Mesmo sem títulos durante oito anos, o Maranhão, que ganhou o campeonato Maranhense de 2007, continua sendo um dos times mais populares do estado e goza de grande prestígio e torcida.


Time campeão em 2007.

Ídolos e títulos

O Maranhão Atlético Clube, em seus 65 anos de história, contou com diversos craques em seus vitoriosos elencos. Jogadores como Clemer, Lúcio Surubim, Jackson e Robgol vestiram a camisa do glorioso Bode Gregório, colaborando na conquista de títulos importantes, como o tricampeonato na década de 90 e no reconhecimento do clube no cenário nacional.
Clemer Melo da Silva, maranhense de 39 anos, iniciou sua carreira em 1987 defendendo o Moto Clube do Maranhão. Durante os dois próximos anos rodou o interior de São Paulo, passando pelo Paulista e Catanduvense, até chegar ao MAC.
Ainda sem fama nacional o goleiro defendeu com fervor o Demolidor de Cartazes por dois anos, até prosseguir com sua carreira, chegar à Portuguesa em 1996 e ser reconhecido no país inteiro por suas habilidades no gol.
Conquistou 19 títulos na carreira, entre eles a Copa Libertadores da América de 2006 e o Mundial de Clubes da Fifa no mesmo ano, batendo o poderoso Barcelona de Ronaldinho Gaúcho e Deco na final, defendendo o Internacional. O goleiro ainda teve passagens por Goiás e Flamengo.
Lúcio Surubim atuava inicialmente como zagueiro e posteriormente foi deslocado para a posição de volante. Integrou equipes como o XV de Campo Bom, Náutico e o Botafogo, além de comandar a equipe do Maranhão Atlético Clube.
Jogando como volante, participou de forma decisiva na conquista do título maranhense de 1994, sendo o líder da equipe dentro das quatro linhas. Após encerrar sua carreira, não deixou de trabalhar com futebol e atua como comentarista em uma emissora de televisão.
Artilheiro por todas as equipes em que atuou, José Robson do Nascimento, o Robgol, foi o grande nome da equipe do Bode Gregório na conquista do Campeonato Estadual de 1995.
Formou o ataque do time campeão com Lamartine e, após marcar 19 gols, consagrou-se artilheiro da competição. Robson ainda passou com sucesso pelo Bahia, Náutico, Santa Cruz e Paysandu, além de uma apagada aparição no Santos Futebol Clube, não conseguindo repetir as ótimas atuações anteriores.
O grande momento na carreira do atleta foi no ano de 2005, quando se tornou vice-artilheiro do Brasileirão, marcando 21 gols e ficando atrás apenas de Romário, autor de 22 gols naquele ano.
O maranhense Jackson nasceu em Codó no dia 23 de setembro de 1973 e durantes seus 34 anos de vida defendeu clubes como o Palmeiras, Vitória, Cruzeiro e o Internacional, além de disputar três jogos pela seleção brasileira em 1998.
Iniciou sua carreira em 1993, defendendo o Maranhão Atlético Clube e lá permaneceu por mais dois anos, conquistando três vezes o campeonato maranhense (1993-94-95). Junto com o lateral-esquerdo Reginaldo e o zagueiro Oliveira Lima, Jackson Coelho da Silva completa o trio dos únicos jogadores que participaram das três campanhas vitoriosas na década de 90.
Depois de deixar a equipe de São Luis, o atleta ganhou o Brasil atuando pelo Sport e sendo bicampeão pernambucano. Com seu bom futebol, despertou o interesse da Sociedade Esportiva Palmeiras e fez parte do elenco que levantou a Copa Libertadores da América em 1999, o título mais importante em sua carreira.

Mascote


A mascote do Maranhão Atlético Clube é o Bode Gregório. Diferentes histórias explicam a origem da mascote da equipe, mas a principal delas é a de que um bode chamado Gregório era criado na sede da agremiação e que possuía grande habilidade com a bola nas patas.

Títulos

Nacionais
Vice Campeonato Brasileiro Série B: 1986


Time do Maranhão campeão em 1995.
Estaduais
Campeonato Maranhense: 13 vezes (1937, 1941, 1943, 1951, 1963, 1969, 1970, 1979, 1993, 1994, 1995 , 1999 e 2007).
Taça Cidade de São Luís: 2006.

Fontes: Wikepedia, Howstufworks-esporte, Sítio Oficial do MAC e Google Imagens

Um comentário:

jornal da grande natal disse...

O Maranhão ar ou em Natal em 1973. O treinador era Xerem. Pode me informar o nome completo dele?